Ele disse que eu não merecia seu amor. Me olhou com seus olhos raivosos, então levantou aquele revólver que ele tanto lustrava, apontou-o para mim e disse, com seu hálito de bala de menta, a última palavra que eu ouvira: - Vadia.
Ouve um barulho, um estouro. Senti uma forte pressão em minha barriga, do lado direito. A dor veio junto ao sangue que escorria. Foi a pior sensação que eu pude sentir. Era algo me infectando, algo que meu corpo não estava acostumado. Um furo, por onde escorria sangue. Sangue, muito sangue. Não conseguia parar aquilo por mais que eu quisesse. Coloquei a Mao em minha barriga, comecei a chorar com aquela tremenda dor. Me revirei sobre os lençóis da cama, na qual havíamos passado a noite.
E ele ali, parado. Apenas vendo o meu sangue. Com uma cara de nojo, raiva, fúria. Um animal nojento. Nem sei descrever direito.
Dor, muita dor. Sangue, muito sangue. Eu queira que aquela dor parasse, mas não havia maneira. Era uma dor horrível. Meu corpo todo estava sentindo aquela dor. Meus órgãos foram perfurados, e deles estava saindo sangue, muito sangue.
E ele nem para dar um tiro final, na cabeça ou em algum outro lugar. Ele queira era me ver agonizando e sofrendo. Aquilo era excitante para ele. Fetichista demoníaco!
Minha cabeça começou a doer, ela parecia que iria explodir. As coisas estavam se tornando duplas, eu estava tonteando. Vomitei sangue e também expeli pelo meu nariz. Tudo começou a ficar escuro. Olhei para ele pela última vez. E pensar que tudo aquilo foi em vão. Apenas por uma carta que eu tinha recebido de outro homem, um amigo meu, só que no final estava escrito: “Eu te amo”. Puro ciúmes e inveja. Puro ódio e rancor. Insegurança de uma pessoa descontrolada. Eu poderia ter sido feliz ao lado dele, se ele não fosse assim, desse jeito. Tudo aquilo que eu, que eu planejei, que eu sonhei. Todos meus planos ao lado dele estavam ruindo, estavam acabando...
Não tinha volta, o que ele fez foi algo irracional. Algo do qual só pessoas descontroladas fazem. Ele acabou com tudo, com sonhos, com planos, com o futuro tão desejado por muitos, com a felicidade. Como pude amá-lo? Deveria ter conhecido quem ele era realmente, antes de começar um relacionamento. De que ele era aquela pessoa. A pessoa que me fez ter a pior das dores.
Tudo aquilo passando em poucos segundos em minha mente e eu não podia fazer nada, estava apenas sofrendo. Estava tonta e tudo estava escurecendo. Olhei para o lado e ri, pela última vez os olhos de desgosto e raiva, e talvez remorso. Foi a última coisa que vi. Olhei para ele, tudo escureceu. Eu morri.