segunda-feira, novembro 22, 2010

CONTO "A CARTA"

Trinta anos já passaram, estou aqui escrevendo esta carta, que amanhã vou mandar para mim mesmo.
Quero detalhar tudo o que estou sentindo neste momento para que depois não fiquem dúvidas a respeito disso que vou fazer.
Não tenho certeza se vou, estou tentando me encorajar. Minha vida não está muito boa, está péssima, tudo bem, está um lixo. No serviço, ninguém mais me respeita, também quem quer respeitar um animal ignorante, bêbado, dizem que só falta pintar a bunda de vermelho e pôr um nariz de palhaço.
Não vou fugir do assunto, vou fazer o que estou intencionado. Quando comecei a escrever, mas aí penso na minha família, eles vão ficar muito desapontados.
Ele está na gaveta, comprei faz semanas. Eu não sei se quero usá-la. Essa indecisão está me matando, não tenho muito tempo, daqui a pouco minha mulher e filha vão chegar e eu estou aqui escrevendo um monte de besteiras, estou bêbado. Eu sinto. Isso está me matando duas vezes.
Pronto. Tomei coragem. Vou pegar a coisa na gaveta e as balas no paletó. Estou chorando, mas estou decidido, minha está chegando ao fim, vou na cozinha buscar um copo d'água e preparar tudo. É o fim, apaguei todas as luzes, ouvi um barulho lá embaixo. O que pode ser?
Peguei-a na gaveta, carreguei e fui descendo... Eu como esposa dele, tomei o direito de terminar a carta. Acho que ele não estava mais bêbado. O bandido abriu a porta e os vizinhos ouviram dois tiros. Meu marido está bem, mas o bandido levou a pior, está morto.