segunda-feira, novembro 22, 2010

CONTO "E AGORA?"

Era como se nos conhecêssemos há tempos, como se já tivéssemos nos visto antes, mas a verdade perpetuava, pois tudo começava ali, naquele momento.
Mal sabíamos o que nos reservava o futuro, só sei que nos tornamos grande amigos, assim como um animal (cão) com seu dono. Não tínhamos todos os gostos iguais, eram apenas algumas coisas em comum, como a vontade de comer a mesma bala, ou escutar a mesma música.
Se nos conhecíamos pessoalmente? Na verdade, sim e não ao mesmo tempo, pois já havíamos nos visto de longe, mas palavras trocadas jamais foram ditas. Talvez esse tenha sido nosso maior problema, nunca falar o que queríamos.
Meses se passavam e a amizade ali continuava, firme como uma rocha. Agora, uma pergunta: Seria mesmo uma amizade, ou um amor “medroso”? Eis a questão.
Mensagens eram trocadas freqüentemente, textos eram escritos, muitas vezes depois de desentendimentos, a verdade é que embora não fisicamente, não vivíamos um sem o outro, era como se precisássemos um do outro para tudo, pois sempre nos aconselhávamos, sempre pedíamos ajuda e auxilio em cada situação difícil.
Até que algo aconteceu e mudou nossas vidas, eu havia o “traído”, na verdade não poderia considerar o que fiz como uma “traição” já que jamais tivemos algo, mas foi assim que ele a considerou, como uma “traição”. Quer saber o que eu fiz? Fiquei com um dos amigos dele, e isso o machucou muito. Então tudo o que eu considerava suposição se confirmou, ele realmente gostava de mim, e eu também sentia o mesmo, já que, depois de sua perda, eu acabei por sofrer.
O que antes era diário se tornou “nunca mais”. Paramos de nos falar e, quando eu tentava puxar algum assunto, sentia ele “seco”, ríspido comigo.
Meses se passavam e nada... Agora eu o via todos os dias, havia me mudado para a mesma escola que ele, eu não me segurava ao tentar procurá-lo, meu nariz procurava seu cheiro, mesmo não sabendo ao certo qual era... Até que propus a ele nos distanciarmos de vez, para que ele pudesse esquecer o que aconteceu, procurávamos não ficar nos mesmos lugares, mas isso de nada adiantou, a tentativa de superação havia dado errado, pois ele realmente se encontrava decepcionado.
Foi quando, depois de um mês, o encontrei namorando... No início, fiquei bastante triste, mas depois obriguei-me a me acostumar... Tudo continuava igual, não nos falávamos, nos evitávamos, enfim tive de me acostumar, embora aquilo me machucasse...
Recentemente, ele terminou seu namoro e, por ironia do destino, voltamos a nos falar, não todos os dias, não como antes, mas “voltamos”... Será agora nosso momento? Será agora nossa chance, ou tudo não passará do pensamento novamente?
Ainda penso em lhe mandar as cartas que escrevi e não enviei, será que devo? O que as cartas me reservaram? O que o destino reservará para nós?

Continua...