segunda-feira, novembro 22, 2010

CONTO "OBITUÁRIO"

Sebastian, vinte e dois anos, havia acordado com dores horríveis pelo corpo. Na noite anterior, ao sair de uma festa, foi encurralado e assaltado por cinco homens, que lhe quebraram o nariz.
Sabia que ele deveria estar morto, mas como havia feito algumas vendas antes e durante a festa, tinha o dinheiro. Ele matinha sua função de vendedor já fazia três anos, superando, em termos cronológicos, muitos colegas.
Acordou-se porque a campainha do apartamento tocava freneticamente. Ao abrir a porta, Sebastian não viu ninguém.
- Será que são as crianças da família Barreto? – pensou.
Não havia ninguém, mas havia uma carta sobre o tapete da porta. Ao abrir o envelope, percebeu que a carta era de um velho “amigo’ e que havia sido assinada com sangue. Depois de ler, com um arrepio na espinha, Sebastian rasgou-a com uma fúria animalesca. Entretanto, aquilo não era raiva, era medo.
Nervoso, limpou o rosto, tirou o pijama, desceu – morava no terceiro andar – e foi até a padaria que ficava ali em frente.
Ao sair de lá – da padaria -, viu um pivete que corria após roubar a bolsa de uma senhora. O pivete ao passar na frente dele, olhou-o nos olhos e disse:
- Aqui está o pagamento que você merece.
Após lhe disser isso, o pivete apertou o gatilho – sim, ele tinha um revólver. Houve um estouro baixo, mas a bala atravessou o coração de Sebastian.
Alguém chamou a ambulância, que chegou rapidamente, levou-o ao hospital, onde ele agonizou. Mais tarde, apareceu a polícia para reconhecer o corpo.
Sebastian Bittencourt Soarez, 22, era um dos traficantes mais procurados do Rio Grande do Sul. Era!