segunda-feira, novembro 22, 2010

CONTO "SANGUE FRIO"

Cheguei em casa com muitas imagens na cabeça. Corri para o sofá e me senti lá ofegando, mas agora aliviada pela sensação de estar salva.
O homem que me seguiu pela rua desde a praça, a duas quadras de minha casa, estava me dando um frio na espinha desde que o vi lá, sentado no banco. Passei por ele e alguns segundos depois ele levantou-se e veio, vagarosa e calmamente atrás de mim.
Me lembrei que era quarta-feira à tarde e eu devia checar o correio. No meio de todas aquelas cartas de bancos e propagandas, havia uma carta em um envelope branco e delicado. Não havia remetente, mas havia meu nome. Abri a carta e ela dizia: “Tome cuidado”.
Cambaleei para trás, tonta, de repente com a triste noção de que não estava sendo seguida. Estava sendo conduzida.
Atravessei o pátio lentamente, ainda em choque. Quando entrei pela porta, me arrependi do que fiz.
Havia um homem sentado em meu sofá, mas eu ainda não conseguia vê-lo, ele estava de costas para mim. Mas, pelo casaco que usava, reconheci como sendo o homem que me seguiu.
- Q-quem é você? – Perguntei gaguejando, com a voz rouca e muito mais fraca do que eu imaginava.
- Eu falo aqui – e dizendo isso, levantou-se e veio em direção a mim. Era muitos centímetros mais alto que o meu um metro e sessenta e cinco, e tinha uma arma na mão. Arfei e ele sorriu.
- Não devia ter fugido de mim. – E deu mais alguns passos, me fazendo andar para trás e bater com as costas na parede. Oh, não!
Ele me segurou pelos ombros contra a parede com uma força incrível. Estava furioso como um animal, e de repente levantou o punho esquerdo e acertou meu nariz.
Ouvi um grito penetrante, e demorei alguns segundos para entender que era meu. Chorava intensamente, cega pela dor, quando de alguma forma ouvi o barulho do gatilho.
- Não, não, por... – e então a arma bateu em minha têmpora... e tudo se escureceu. Tinha certeza, por um segundo, que a bala havia atravessado minha cabeça, mas então eu fiquei à deriva e tudo acabou.