segunda-feira, novembro 22, 2010

CONTO "O ASSALTO"

Era uma bela manhã de verão, seca e quente, típica do Rio de Janeiro. Já estava tudo armado, era o plano perfeito, o golpe fatal. Meu parceiro Pé-de-cabra e eu planejamos assaltar a lotérica, no fim do expediente. Ficamos esperando em frente a lotérica, dentro de minha Kombi, até o momento de abocanhar a presa. Horas passaram-se . Quando estávamos jogando carta dentro da Kombi, vimos a porta do estabelecimento se fehcando. Falei para o pé-de-cabra:
- Agora é a hora, meu parceiro!
- É a nossa chance, Papagaio.
Pegamos nossas armas, nossas tocas ninja e invadimos a lotérica. Lá dentro estava apenas o gerente, contando o dinheiro e fazendo o fechamento dos caixas. Anunciamos o assalto e pedimos que nos entregasse voto o dinheiro. Ele ficou imóvel pois estávamos armados. O gerente na hora de ensacar o dinheiro, apertou um botãozinho que havia em baixo do balcão, no qual era um alarme para a polícia. Quando percebi o que ele tinha feito já era tarde demais. A polícia cercara o local. Estávamos trancados lá dentro, com o gerente de refém.
Enquanto Pé-de-cabra pegava o dinheiro e cuidava para manter o refém quieto, eu tentava pensar em algo para podermos escapar. Mexia na boca e no nariz, pensativo, mas nada me veio à cabeça. A polícia na rua tentava fazer contato e ameaçava invadir o local. Tolice, eu mataria o refém. Pude pensar um pouco mais e disse ao Pé-de-cabra:
- Anda, animal, tive uma idéia para tentar fugir, chame o refém e venha comigo.
- "Tô" indo, Papagaio.
Perguntei ao gerente onde ficava a saída de emergência, ele disse que não tinha, pois o chefe dele se recusara a fazer, apesar de ser norma. O meu plano B foi recorrer à saída pelos fundos. Acompanhado do Pé-de-cabra e do refém, fui até lá com a intenção de superar a capacidade de raciocínio da polícia e fugir com o dinheiro e sem dano algum. Quando meu parceiro abriu a porta, os policiais ali estava e, como um raio, uma bala acertou o peito do Pé-de-cabra, que caiu morto na hora. A única saída era me entregar.
Libertei o refém e fui ao encontro da polícia. Me levaram para o 32DP de Copacabana. Minha mãe e minha filha estavam lá me esperando, pois já tinham sido avisadas do ocorrido. O maior desgosto da minha vida foi a minha filha me ver sendo arrastado pelos brigadianos, como um cachorrinho que é pego pela carrocinha, com o rabo, entre as pernas. Fui a julgamento e fui condenado a quinze anos de cadeira. eu me achava esperto, mas a vida do crime é mais, e hoje o malandro Papagaio está preso atrás das grades. A vida me provou que o crime não leva a nada.