Eram quase nove horas quando tudo começou, o sol já havia partido, a noite era fria e não havia se quer uma estrela no céu. Anita, senhora de aproximadamente sessenta anos, residia em uma das casas mais luxuosas de São Paulo. Seu cômodo predileto era a sala-de-estar, e era exatamente lá onde ela se encontrava assistindo suas novelas, enquanto degustava deliciosas guloseimas, rapaduras, balas, enfim, diversos tipos de doces. E foi naquele momento que seu telefone tocou pela primeira vez.
- Pois não? – Perguntou Anita, escutando com atenção a voz do outro lado da linha.
- Oi, vovó. Sou eu, seu neto Cláudio. Estou ligando para comunicar-lhe que vou passar alguns dias aí com a senhora. Já que você mora aí sozinha nesta casa tão grande, acho que não vai se importar, não é mesmo?
- Mas é claro que não, Cláudio. Estou aguardando sua chegada. – Respondeu Anita, desligando o telefone.
Anita então se deu conta de que seu neto nem ao mesmo avisou o dia de sua chegada, mas imaginou que não viria aquelas horas da noite. O relógio marcava dez horas quando o telefone tocou novamente.
- Pois não? É Anita! Quem está falando?
Mas, desta vez, ninguém respondeu a Anita. Sendo assim, resolveu deixar suas novelas e guloseimas e ir para seu quarto. Logo pegou no sono e adormeceu, mas não por muito tempo. Aproximadamente quatro horas da manhã, um novo telefonema fez com que Anita despertasse.
- Pois não?
- Você está sozinha nessa casa enorme, minha boa senhora? Perguntou alguém a Anita antes mesmo de se identificar.
Anita se assustou e insistiu:
- Mas quem está falando?
Desta vez, um homem com voz rouca não lhe respondeu absolutamente nada, apenas esperou alguns instantes e desligou o telefone, o que fez com que Anita se apavorasse ainda mais.
Anita morava em um lugar bastante afastado de suas casas vizinhas, o que lhe incomodava bastante, pois não poderia pedir ajuda no caso de uma emergência. Decidiu acendeu as luzes da casa e dar uma espiada ao redor de seu pátio. Foi até a cozinha e serviu um copo de leite, depois resolveu voltar ao seu quarto. Chegando lá ficou apavorada em observar o que estava sobre sua cama: uma carta. Anita atônita percebeu que não havia nada ali quando saiu do quarto para atender ao telefone e a janela de seu quarto era bastante afastada de sua cama. Assim, só havia uma explicação, alguém tinha entrado no quarto e posto a carta ali.
A senhora de sessenta anos correu apavorada para o telefone com o intuito de ligar para a polícia. Chegando lá, outra surpresa fez com que Anita perdesse o fôlego: o fio do telefone, que era colocado na tomada, estava partido ao meio. Realmente, havia alguém fazendo presença a Anita. Após alguns minutos, ainda antes do sol raiar, Anita escutou batidas na porta. Ela se dirigiu até a porta da frente e interrogou em voz alta e trêmula:
- O que você quer?
- Quero entrar! – Respondeu um homem para Anita, que saiu correndo para o banheiro e trancou a porta.
De dentro do banheiro, Anita escutou sua porta ser arrombada. Alguém chegou até o lado de fora do banheiro e depositou a carta que estava em sua cama por baixo da porta.
Anita apavorada abriu a carta e leu. Quase desmaiou quando leu a frase: “Saia da casa ou a matarei”. O homem se afastou da porta e saiu da casa. Anita rapidamente saiu da casa pela porta dos fundos e entrou em seu carro, mas logo percebeu que os pneus estavam furados. A senhora então avistou um homem mascarado vindo em sua direção, apenas com o nariz descoberto. Anita já não tinha mais forças para correr, se assustou e ficou parada, imóvel. Ao chegar perto de Anita, o homem tirou sua máscara e revelou seu rosto. Anita então reconheceu seu neto Cláudio.
- Minha velha senhora, isto foi só uma brincadeira. Fui eu quem fez tudo isso, desde os telefonemas até a carta. Espero não ter assustado muito a senhora.
Anita enfurecida respondeu:
- Cláudio, seu animal! Como pôde fazer isso comigo?
Felizmente tudo não passou de uma brincadeira, que quase acabou por levar a senhora Anita à morte.