Senti-me surpresa quando me deparei com aquela carta sobre a mesa. Não havia mais ninguém em minha casa somente eu e meu silêncio. Não tinha idéia de como aquelas folhas brancas, com alguns detalhes em dourado, haviam chego em minha casa. No centro de minha mesa, onde somente eu tinha as chaves e não imaginava quem pudesse ter posto aquilo ali.
Entrei, larguei minhas coisas do trabalho sobre o sofá. Pensava em não ler, mas minha curiosidade falou mais alto. Escutei alguns barulhos na rua. Estranhos, mas deveria ser alguém tipo de animal passando por ali. No entanto, voltei a me concentrar na carta. Peguei-a em minhas mãos. Não tinha remetente, não tinha nada ou pudesse descrever quem havia me mandado. Nela encontrei palavras que não condiziam comigo, mas outras falavam sobre meu passado e pensamentos. Até mesmo de sonhos que tive, os quais ninguém além de mim sabia. Haviam palavras sem nexo, falando sobre olhos, boca nariz, cabelos desfigurados, coisas que aos poucos vinham. Algumas lembranças concretas. Senti naquele momento uma brisa leve passando em meu rosto. Não sabia de onde vinha nem por qual motivo. Olhei e todas as janelas e portas estavam fechadas.
Me veio então um medo repentino, o qual eu nunca sentira antes. Fui até a cozinha. Peguei um copo e bala de café. Era o que me acalmava.
Sentei-me no sofá novamente estava disposta a terminar minha careta. Não sabia até então por qual motivo ela estava em minhas mãos e contendo todos aqueles fatos. Depois de ler até o fim, senti um alívio inconstante ao perceber que acordei em minha cama e que tudo não havia passado de mais um de meus pesadelos desde que era criança.