segunda-feira, novembro 22, 2010

CONTO "NEM SEMPRE O BEM VENCE O MAL"


A escuridão domina minha visão, não faço idéia do que aconteceu. Completamente sem noção de tempo, tento me concentrar em pensar, mas fica difícil com a tontura que estou sentindo. Abro os olhos, mas a escuridão permanece, percebo que meus olhos estão vendados, através das frestas, percebo que a sala onde estou não é tão clara.
Começo a ficar consciente, e sentir meu corpo. Estou sentado em uma cadeira, com o encosto levemente quebrado, minhas mãos estão amarradas na cadeira, e minhas coxas amarradas na cadeira. Não entendo, porque foram amarradas as coxas ao invés dos pés. Tento me lembrar do que aconteceu, de como fui parar ali.
Lembro que despertei pela manha, e fui buscar a correspondência, onde haviam inúmeras cartas de contas bancárias, e entre elas, uma anônima, que quando fui abrir, vi a escuridão, meus pés enfraqueceram e eu tombei no chão.
Sinto algo escorrer por meus olhos, nariz e boca, era suor, e realmente estava com calor, a sala era abafada e úmida, com diversos tipos de animais, como ratos, baratas. Sinto algo me lamber, hálito quente, suspeito que seja um cachorro.
Ouço uma voz se aproximar, passos leves, e que provavelmente falava ao telefone antes de abrir a porta da sala na qual eu estava.
Minha venda é retida, sinto a claridade prejudicar minha visão. Quando abro os olhos, apenas consigo ver um homem alto, gordo e vestido de branco, sentado a minha frente com um papel na Mao. Ele começa dizendo:
- Arthur, vinte e três anos, um metro e oitenta e nove de altura, setenta e sete quilos, filhos dos Hiff, assino Professional, matou doze dos meus amigos. Parabéns, foi excelente em seu trabalho sem pistas. Mas eu... Ah, Arthur, eu te observo há muitos meses. Sei tudo o que faz, o que sente, e já planejava há muito tempo como você morreria. Serei bonzinho com você, meu caro, lhe matarei sem tanto sofrimento.
Ele retira uma pistola do bolso, me pergunta se desejo algo antes de morrer, e algumas lágrimas caem por meu rosto, porque sei que matei doze pessoas porque elas eram ruins para a sociedade. Chorei também porque lembrei de meu grande amor, minha família e amigos, de como tudo aquilo fazia bem para mim. Balanço a cabeça em sinal negativo, abaixo-a e espero que meu fim chegue.
Sinto a bala perfurar meu peito com seu calor, vejo um filme rápido de tudo o que aconteceu em minha vida, sinto que a minha hora realmente havia chegado. Meu corpo amolece, e por cima, vejo meu corpo caído sobre aquela cadeira, e eu como alma, sinto-me livre, mas triste por ter feito o bem, e ter morrido mesmo assim por criminosos.