quinta-feira, novembro 25, 2010

ESCLARECIMENTOS

1) Cada concorrente tem os direitos autorais garantidos pelo conto aqui publicado. Também é exclusivamente responsável pelo texto (conteúdo, origem, forma, etc).

2) Em caso de erro de digitação ou de qualquer outra espécie, o autor do texto pode e deve entrar em contato pelo e-mail do concurso divulgado à direita. Somente o autor.

3) A enquete que premiará o conto mais popular será disponibilizada em 1/12/10 e encerrará em 7/12/10.

4) Os textos estão sendo publicados aos poucos por uma questão de tempo. Lamentamos o transtorno.

5) A divulgação do resultado do concurso, bem como a cerimônia de premiação DOS TRÊS PRIMEIROS LUGARES, está marcada para 10/12/10. Autores-concorrentes estejam prontos para as boas surpresas.

Os organizadores.

segunda-feira, novembro 22, 2010

CONTO "UM AMOR DESCONHECIDO"

Após ler a carta, Ana compreendeu que tudo aquilo que havia vivido naquela última semana não tinha sido por acaso. Percebeu que aquele turbilhão de sentimentos, por um completo desconhecido, realmente estava no seu destino.
Era véspera de ano novo, exatamente vinte e três horas. Ana estava na varanda de sua casa na praia quando recebeu uma mensagem no celular. Ficou toda animada, imaginando ser o garoto que ela havia conhecido alguns dias antes. 
Para sua surpresa não era ele, e sim alguém cujo número estava oculto e que havia lhe mandado a seguinte mensagem: "Espero que nessa virada de ano todos os seus sonhos se realizem e que, algum dia, eu tenha coragem para dizer o que realmente sinto por ti. Com carinho, E.". Ana não entendeu nada e coçou o nariz, gesto que sempre fazia quando estava confusa. A meia noite chegou e ela não conseguiu parar de pensar na mensagem que recebera e tentava imaginar quem poderia ter-lhe escrito.
No dia seguinte, por volta de oito da manhã, Ana resolveu caminhar na praia, que estava coberta de flores, oferenda a Iemanjá, trazidas pela maré. Sentou na beira do mar e pôs os pés na água. Ainda estava com dor-de-cabeça, resultado das várias taças de 'champagne' que tomara na noite anterior. 
Mesmo assim, não parava de pensar no desconhecido que lhe deixara intrigada com aquela mensagem. Estava nisso quando seus pensamentos foram interrompidos pela ardência que sentia na sola do pé. Em um primeiro instante, não compreendeu, mas ao ver aquele animal se afastando na água limpa e cristalina. Percebeu que tinha acabado de ser queimada por uma água-viva. Ana sempre foi um pouco escandalosa, e não foi diferente nessa vez. Saiu pulando em um pé só. Voltou para casa, e mesmo fazendo um baita barulho, ninguém acordou. Pegou a chave do carro e, com dificuldade, dirigiu até o hospital.
Ao chegar lá, viu uma cena que deveria estar se repetindo na maioria dos hospitais: pessoas bêbadas, vestidas de branco e enchendo a paciência dos poucos enfermeiros que atendiam no local. Apesar do grande número de pessoas, Ana foi atendida logo em seguida e, ao se encaminhar para o consultório médico, sentiu o celular vibrar. Era outra mensagem do tal desconhecido: "Receio que tenha acordado, mas não me contive em te enviar essa mensagem para reforçar o quanto gosto de ti, e estou ansioso esperando sua volta. Com carinho, E.".
Naquele momento, percebeu que aquelas mensagens só poderiam estar vindo de algum lugar perto de onde ela morava. Deixando a dor e a consulta de lado, voltou para o carro e pegou a estrada.
Ao chegar em casa, percebeu que sua caixa de correio estava cheia de contas, mas, em especial, havia um pequeno pacote sem remetente, com um papel preso, que dizia: "Com carinho, E.". Na mesma hora, Ana abriu o embrulho e ficou surpresa ao perceber que era um pacote de balas, e que não as comia já fazia alguns anos. Entrou em casa e ficou pensando quem era esse tal de "E.", e como ele sabia o número do seu celular, o endereço da sua casa e ainda as balas que ela mais gostava.
Alguns dias se passaram e as mensagens continuaram e ficaram cada vez mais íntimas. Ana começou a se ver envolvida num sentimento inexplicável. Uma mistura de curiosidade e atração. 
No sétimo dia após a primeira mensagem, Ana ficou à espera de mais uma, mas naquele dia não recebeu nenhuma. 
Por volta de dezoito horas, a campainha tocou e ela foi atender. Ao abrir a porta, não viu ninguém. Mas percebeu que, sobre o tapete de "Boas-vindas", havia uma carta presa a um pacote de balas idêntico ao que recebera dias antes. No mesmo instante, percebeu que só poderia vir de "E.". Pegou a carta, fechou a porta e foi até seu quarto.
Sentada na cama, sentiu uma angústia enorme, como se estivesse prevendo algo. Abriu a carta e começou a ler, lágrimas começaram a escorrer por seu rosto, pois, aos poucos, ela pode perceber que a história retratada na carta era a sua e que o até então desconhecido era o único homem que ela já amara: Edgar Cramuel, seu amor de adolescência que agora estava à beira da morte. 
Como ela não percebeu na época que ele também gostava dela. Teria sido tudo tão mais fácil. Agora já era tarde demais.
Aos soluços e com os olhos embaçados, Ana mal conseguia ler as últimas linhas: "...talvez o destino tenha sido injusto conosco, mas só agora pude perceber que as nossas escolhas devem ser feitas e executadas hoje. Afinal, ninguém pode prever o dia de amanhã. Viva tudo intensamente e não se esqueça de mim. Com carinho, Edgar."


CONTO "OBITUÁRIO"

Sebastian, vinte e dois anos, havia acordado com dores horríveis pelo corpo. Na noite anterior, ao sair de uma festa, foi encurralado e assaltado por cinco homens, que lhe quebraram o nariz.
Sabia que ele deveria estar morto, mas como havia feito algumas vendas antes e durante a festa, tinha o dinheiro. Ele matinha sua função de vendedor já fazia três anos, superando, em termos cronológicos, muitos colegas.
Acordou-se porque a campainha do apartamento tocava freneticamente. Ao abrir a porta, Sebastian não viu ninguém.
- Será que são as crianças da família Barreto? – pensou.
Não havia ninguém, mas havia uma carta sobre o tapete da porta. Ao abrir o envelope, percebeu que a carta era de um velho “amigo’ e que havia sido assinada com sangue. Depois de ler, com um arrepio na espinha, Sebastian rasgou-a com uma fúria animalesca. Entretanto, aquilo não era raiva, era medo.
Nervoso, limpou o rosto, tirou o pijama, desceu – morava no terceiro andar – e foi até a padaria que ficava ali em frente.
Ao sair de lá – da padaria -, viu um pivete que corria após roubar a bolsa de uma senhora. O pivete ao passar na frente dele, olhou-o nos olhos e disse:
- Aqui está o pagamento que você merece.
Após lhe disser isso, o pivete apertou o gatilho – sim, ele tinha um revólver. Houve um estouro baixo, mas a bala atravessou o coração de Sebastian.
Alguém chamou a ambulância, que chegou rapidamente, levou-o ao hospital, onde ele agonizou. Mais tarde, apareceu a polícia para reconhecer o corpo.
Sebastian Bittencourt Soarez, 22, era um dos traficantes mais procurados do Rio Grande do Sul. Era!

CONTO "EM POUCAS PALAVRAS"

“Caro Luís...”.
Rita coçou o queixo. Esse começo estava formal demais, frio demais. A garota não queria passar impressão de distanciamento na carta, não depois do ano que se passara.
“Querido Luís...”.
- Não, meloso demais. – Pensou Rita. Assim como não queria parecer distante demais, não queria que fosse tão íntimo. Ele não merecia.
“Luís”.
- Assim está melhor. – Sussurrou. O distanciamento certo.
“Seu animal estúpido! Como não pôde perceber...”.
Rita parou. Por mais raiva que sentisse, não queria começar tão agressivamente. Riscou a última frase, e recomeçou:
“Apesar de tudo o que eu disse e fiz, você nunca percebeu a verdade. Nunca percebeu o quanto...”.
Uma lágrima pingou no papel. Escrever fez com que Rita se lembrasse de tudo, dos momentos dolorosos... Mas ela tomara uma decisão. Precisava desabafar, confessar o que sentia, porque aquela era a última oportunidade.
Secando uma lágrima que escorrera por seu nariz, continuou. Colocou no papel tudo o que sentia e, estarrecida, percebeu que já escrevera mais de três páginas.
- Não posso fazer algo tão longo assim, ele não vai ler. – Constatou. O infeliz provavelmente já não se interessaria por sua carta, ainda mais se fosse longa. Rita precisava ser sucinta.
Mas a garota não conseguia se acalmar. Começava a chorar quando se lembrava de todo o sofrimento que ele lhe fizera passar. As crises de choro, as noites mal-dormidas, as falsas esperanças alimentadas...
Tudo isso até o baque final. Tudo o que ela pensara ser possível, os sonhos que tiveram foram destruídos ao descobrir que ele não a amava. Ela não iria namorá-lo, casar-se com ele, ter filhos... Todos os sonhos haviam sumido, o que restara fora a dor.
Rita caminhou até o armário, onde guardava o que seria seu último alimento. Do vidrinho, tirou um comprimido branco. Fingindo ser uma bala, a garota o engoliu. Um antes da hora não devia fazer diferença. Em poucos minutos, as lágrimas cessaram, e Rita pôde continuar a carta.
Momentos depois, ao terminar de escrever, releu, e ficou satisfeita. Era exatamente o que ela queria dizer, em poucas palavras.
Saboreando seus últimos momentos, pegou na gaveta a foto dele, e a beijou.
- Adeus, meu amor. Te odeio. – Disse, antes de engolir todas as pílulas do vidrinho.
Depois do último suspiro, abraçou a carta que ele leria, quando a encontrassem:
“Luís,
Adeus para sempre. Assim como te amei mais que tudo, te odiei com todas as minhas forças. Nunca mais me magoará ou me usará. Não sou seu brinquedo.
Até nunca mais, meu amor, meu ódio.
                                                             Rita.”

CONTO "FELIZLÂNDIA"

Era uma vez, uma fada com o nome Lusca Malusca. Todos a achavam estranha, riam dela e faziam brincadeiras de mau-gosto, principalmente com seu nariz. Ela não era feia, ela não era chata, muito menos mal-educada, apenas era deixada de lado.
Certo dia, a fadinha foi passear na floresta. Lá achou uma flor e resolveu deitar para descansar um pouco, pois estava cansada de tanto caçoarem dela. Enquanto estava pensando, ela caiu no sono e idealizou um mundo diferente, sem brigas, sem risos maldosos e sem governantes corruptos. Ela queria ser feliz lá, e enquanto caminhava em direção à cidade, seu coração batia acelerado na esperança de realizar todos os seus sonhos.
No caminho, ela via árvores de bala, grama de chocolate, animais de marshemallow, sim a estrada era de doces, dos mais variados tipos, das mais diferentes formas e sabores. O arco com o nome da cidade era todo iluminado, com várias cores. E, para sua surpresa, o nome era Felizlândia. Tudo o que ela mais queria, tudo o que ela mais realizava: felicidade.
Quando chegou lá, olhou ao redor e percebeu que era triste e escuro, tudo tinha luz própria, o que fazia a fada se sentir iluminada por dentro, irradiada pelo seu próprio interior. Os habitantes eram dos mais diversificados tipos: fadas, gnomos, animais, seres espaciais, todos viviam na mais pura harmonia. As asas eram de cogumelos e a cidade era uma linda floresta. Haviam cogumetes para os recém-chegados como ela, os apêlogus eram os que possuíam uma condição melhor financeira. Mas isso não importava para ela, pois ela queria começar do zero, construir uma nova vida, com novos amigos.
Quando conseguiu se estabelecer, escreveu para sua mãe. Na carta, contava como estava animada com a nova vida, como conseguira um emprego de babáfada, e isso a deixava feliz como nunca antes.
Com o passar do tempo, acreditava cada vez mais que tudo era real, e ela queria que fosse verdade. Mas como nada é para sempre, o sonho da fada Lusca Malusca já estava acabando, pois já estava amanhecendo e todos estavam atrás da fadinha fujona.
Através do sumiço dela, todos pensaram em como a faziam sofrer, pensaram em tudo de errado que já tinham feito. E todos que moravam na cidade real a receberam de forma calorosa, e ela viu que a Felizlândia era ali, que aquele era seu verdadeiro lugar.

CONTO "ADEUS"

A carta dizia: "O cheiro que o nariz não pode mais sentir, o animal que não pode ser mais visto, a bala que mais doce caiu da boca da criança, antes que ela pensasse.". Então a lágrima caiu, a dúvida surgiu: se Ele existe, por que deixou isso acontecer?
Instante depois, o telefone toca:
- Filha, como está?
- Como acha?
- Recebeu a carta?
- Queria que não.
- Tu... tu... tu...
A certeza ela teve depois que leu três vezes a carta: Sim, o meu amor se foi.

CONTO "O SONHO DO PALHAÇO"

“Respeitável público, é com prazer que vos apresento o palhaço Inácio!”. Assim ele era apresentado àquele amontoado de gente. Nariz vermelho, roupa colorida, ele era arco-íris e pintava o céu – até então cheio de tempestades – das pessoas que estavam ali. Não que ficassem felizes. O público era algumas crianças sofridas e adultos amargurados, e todos traziam cicatrizes demais para lembrar o que era felicidade. Mas o colorido de Inácio os distraía e, de vez em outra, até arrancava um sorriso amarelo de um, e era isso que lhe valia.
Gostava do que fazia, o palhaço. Gostava do modesto cômodo que tinha no circo, do escasso público, e até do assustador animal com o qual dividia moradia. Era feliz, por assim dizer, no meio da melancolia que habitava aquele lugar que deveria ser morada da animação.
Estava lá mais uma vez ele, no palco de tamanho diminuto, trazia consigo balas que jogava para as crianças, sabia que as mesmas não as teriam em casa. E, em meio aquela chuva de pacotes coloridos, avistou, ao fundo, alguém preto e branco. “Parece Chaplin”, pensou. Era um mímico, fora contratado pelo circo dois dias atrás, e até então Inácio não o tinha visto, embora já vira mímico pela TV, apareciam às vezes nos programas de domingo. Vendo de perto aquela arte era mais bonita ainda, mais bonita que ser palhaço.
Fez então uma decisão. Sairia daquela apresentação e seria mímico, pareceria Charles Chaplin. Aplausos. A busca pelo primeiro sonho de palhaço estava prestes a começar. “Estão aplaudindo meu sonho”. Caminhou até o vestiário e de prontidão se atirou embaixo do chuveiro, com roupa, peruca e tudo, elas já não importavam, mímico não usava essas coisas. Foi se desfazendo aos poucos daquilo, ficava tão pálido, agora era só Inácio. Vestiu a roupa mais escura que encontrara, arrumou as malas e saiu sem ao menos se explicar. Na sua ignorância, acreditava que Chaplin atuara em “Cantando na Chuva”, e, andando pela rua, cantarolava com seu inglês inventado “Singing in the rain”, embora o sol se punha dando lugar ao céu estrelado sem o menor resquício de chuva.
Seus passos longos e rápidos foram interrompidos por um barulho mais alto que sua voz, e por um impacto que o amoleceu. Caía lentamente no chão, vinha a sua cabeça o colorido de sua vida inteira e o sonho. Ah, o sonho! Ele estava escorrendo ali, pelo meio do asfalto, junto ao sangue de Inácio. O primeiro sonho não estava acabado, pelo contrário, estava quase realizado. A cena era preto e branco e cheia de expressões dramáticas, era quase mímica! Aplausos vieram a sua cabeça. “Obrigado”, ele se ouvia responder, assistindo as balas coloridas caindo lentamente. Assim chegava ao fim sua mais grandiosa apresentação.

CONTO "FIM DE SÁBADO"

É fim de sábado, quase meia-noite, a locadora de filmes da cidade está pouco movimentada. Lá estão Ademar e seu filho Antônio, um garoto aparentemente educado. Ademar está junto de seu filho na seção de lançamentos, procurando filmes para ver com a família. Neste momento, entram na locadora dois rapazes encapuzados, um deles armado e grita:
Assaltante 1: - Todo mundo pro chão!
Há um pânico geral, alguns ficam desesperados e começam a gritar, o que causa pavor nos assaltantes. Percebendo que sua idéia inicial falhou, ele agarra Antônio e grita:
Assaltante 1: - Todos pro chão agora, ou eu vou matar o garoto.
Ademar fica tenso e, em uma ação de desespero, pula em cima de um dos assaltantes. Mas o outro consegue contê-lo:
Assaltante 2: - Tá maluco, coroa? Eu vô te bota uma bala nesse seu nariz.
Ademar: - Solte meu filho, por favor.
Assaltante 2: - Larga o pia, Douglas. Vamos ficar com este velho aqui mesmo.
Assaltante 1: - Isso, animal. Fale meu nome um pouco mais alto, seu demente.
Assaltante 2: - Não era pra ser assim, Douglas, vai tomar no...
Assaltante 1: - Cale a boca, pegue a chave de um carro qualquer e vamos embora.
O assaltante armado recolhe o dinheiro do caixa e o outro, que está segurando Ademar, rouba uma chave e uma carteira de motorista de um rapaz.
Ademar está angustiado, vendo seu filho chorar muito. Vem na sua cabeça a idéia de reagir contra os assaltantes. Ele fica olhando atentamente para o revólver do marginal.
Assaltante 1: - O que está olhando, seu imbecil? Nem pense em me causar mais problemas.
Ademar está revoltado, e em um ato rápido, solta-se do assaltante, e toma seu revólver, ele está fora de si, e atira em um deles. O outro entra em desespero.
Assaltante 2: - Nãããão, Douglas... Ele era meu irmão, seu corno.
Ademar está com sangue nos olhos, atira novamente, mata os dois, ao mesmo tempo. Ele se ajoelha e leva as mãos à cabeça, vendo a besteira que acaba de cometer.

CONTO "A CARTA"

Trinta anos já passaram, estou aqui escrevendo esta carta, que amanhã vou mandar para mim mesmo.
Quero detalhar tudo o que estou sentindo neste momento para que depois não fiquem dúvidas a respeito disso que vou fazer.
Não tenho certeza se vou, estou tentando me encorajar. Minha vida não está muito boa, está péssima, tudo bem, está um lixo. No serviço, ninguém mais me respeita, também quem quer respeitar um animal ignorante, bêbado, dizem que só falta pintar a bunda de vermelho e pôr um nariz de palhaço.
Não vou fugir do assunto, vou fazer o que estou intencionado. Quando comecei a escrever, mas aí penso na minha família, eles vão ficar muito desapontados.
Ele está na gaveta, comprei faz semanas. Eu não sei se quero usá-la. Essa indecisão está me matando, não tenho muito tempo, daqui a pouco minha mulher e filha vão chegar e eu estou aqui escrevendo um monte de besteiras, estou bêbado. Eu sinto. Isso está me matando duas vezes.
Pronto. Tomei coragem. Vou pegar a coisa na gaveta e as balas no paletó. Estou chorando, mas estou decidido, minha está chegando ao fim, vou na cozinha buscar um copo d'água e preparar tudo. É o fim, apaguei todas as luzes, ouvi um barulho lá embaixo. O que pode ser?
Peguei-a na gaveta, carreguei e fui descendo... Eu como esposa dele, tomei o direito de terminar a carta. Acho que ele não estava mais bêbado. O bandido abriu a porta e os vizinhos ouviram dois tiros. Meu marido está bem, mas o bandido levou a pior, está morto.

CONTO "INVESTIGAÇÃO NA CENA DO CRIME"

Terça-feira, 7:30 am. Um dia que começa tranqüilo como qualquer outro. Ou pelo menos deveria ser.
Chegando ao zoológico municipal de Viewpoint, cidade famosa por seus pontos turísticos, os funcionários que cuidam da limpeza se deparam com a cena: um dos colegas que tratava dos macacos, que ficavam já na entrada, estava caído no chão com seu nariz e orelhas dilacerados e uma marca de bala bem no meio dos olhos.
Eles chamaram a polícia, obviamente, e a família do morto também. Junto com a polícia veio o detetive Dwayne Johnson, o melhor da cidade, que foi solicitado pelo próprio delegado.
Enquanto a família não chegava, Dwayne foi examinar o corpo. Quanto à marca de bala, não havia dúvidas: uma pistola calibre 38 (ele deduziu isso com base nas marcas deixadas pela bala). Já o nariz e as orelhas... Esses sim deixavam sérias dúvidas, pois, examinando de perto, percebiam-se marcas e sulcos deixados pelo que seriam dentes de um animal.
Chega a família (mãe e irmã) do morto e Dwayne vai falar com elas. Depois de umas perguntas, elas revelam que ele havia recebido uma carta anônima uns dois dias antes, com ameaças de morte, às quais ele não deu muita bola. Antes ele tivesse dado...
Interrogando os funcionários, Dwayne constata que não havia nenhuma testemunhas, pois, por alguma razão, Freddie, o morto em questão, havia ficado no zoológico depois que ele fechou. Por quê?
A carta dizia a ele que estivesse na baia dos cavalos de raça às 6:30 pm (a hora que o zoológico fecha). Freedie ignorou, no início, mas, assim como a curiosidade matou o gato, matou também o Freedie, pois, com vestígios de borracha (que seriam de um coturno) e saliva (de um cão raivoso, através de análise), Dwayne viu que o assassino já estava lá, soltou o cachorro atrás de Freedie, que fugiu até a entrada, mas foi alcançado e perdeu o nariz e orelhas na batalha com o cão. O tiro foi explicado a seguir, com resto daquela mesma borracha encontrados perto do corpo.
O assassinato estava desvendado, faltava o assassino. Ligando para o BDSB (Banco de Dados sobre Bandidos) e informando o que havia descoberto, Dwayne descobriu que se tratava de Freddie James, um serial-killer que atacava somente seus homônimos, sem razão aparente.
O assassino não foi pego, mas estava com seus dias de crime pela hora da morte.

CONTO "UM DIA ESTRESSANTE"

Briguei com aquela animal. Peguei meu carro e sai para qualquer lado. Parei na sinaleira. Daí veio um carinho bem estranho e com cara de chapado. Chegou no vidro do meu carro e falou:
- Cadê a "bala"?
- Do que você está falando?
- Não ti faz, vagabundo. Cadê a minha pedrinha?
Acelerei o carro e comecei a fugir, olhei para trás e era o cara num carro cheio de gente me perseguindo. Pensei: "Tudo culpa daquela vadia.".
Acelerei mais daí um caro da polícia estava me perseguindo. O carro do traficante ou receptador não estava mais atrás de mim.
Parei. O policial olhou no fundo dos meus olhos e disse:
- A "carta".
Logo vi que ele era paulista. Botei a mão no bolso do lado da minha carteira. E tinha esquecido. Sai de casa atucanado e esqueci. Fiquei nervoso. Dei uma narizada na mão dele.
O policial ficou pasmo com minha reação. Acelerei e fui embora. O policial ficou lá olhando para a mão dele. Daí pensei: "Agredi um policial, estou com o nariz quebrado, um traficante quer minha cabeça e é tudo culpa daquela vagabunda.".
Cheguei em casa, abri a porta e dei um chute na vagabunda daquela cocota e fui dormir.

CONTO "NEM SEMPRE O BEM VENCE O MAL"


A escuridão domina minha visão, não faço idéia do que aconteceu. Completamente sem noção de tempo, tento me concentrar em pensar, mas fica difícil com a tontura que estou sentindo. Abro os olhos, mas a escuridão permanece, percebo que meus olhos estão vendados, através das frestas, percebo que a sala onde estou não é tão clara.
Começo a ficar consciente, e sentir meu corpo. Estou sentado em uma cadeira, com o encosto levemente quebrado, minhas mãos estão amarradas na cadeira, e minhas coxas amarradas na cadeira. Não entendo, porque foram amarradas as coxas ao invés dos pés. Tento me lembrar do que aconteceu, de como fui parar ali.
Lembro que despertei pela manha, e fui buscar a correspondência, onde haviam inúmeras cartas de contas bancárias, e entre elas, uma anônima, que quando fui abrir, vi a escuridão, meus pés enfraqueceram e eu tombei no chão.
Sinto algo escorrer por meus olhos, nariz e boca, era suor, e realmente estava com calor, a sala era abafada e úmida, com diversos tipos de animais, como ratos, baratas. Sinto algo me lamber, hálito quente, suspeito que seja um cachorro.
Ouço uma voz se aproximar, passos leves, e que provavelmente falava ao telefone antes de abrir a porta da sala na qual eu estava.
Minha venda é retida, sinto a claridade prejudicar minha visão. Quando abro os olhos, apenas consigo ver um homem alto, gordo e vestido de branco, sentado a minha frente com um papel na Mao. Ele começa dizendo:
- Arthur, vinte e três anos, um metro e oitenta e nove de altura, setenta e sete quilos, filhos dos Hiff, assino Professional, matou doze dos meus amigos. Parabéns, foi excelente em seu trabalho sem pistas. Mas eu... Ah, Arthur, eu te observo há muitos meses. Sei tudo o que faz, o que sente, e já planejava há muito tempo como você morreria. Serei bonzinho com você, meu caro, lhe matarei sem tanto sofrimento.
Ele retira uma pistola do bolso, me pergunta se desejo algo antes de morrer, e algumas lágrimas caem por meu rosto, porque sei que matei doze pessoas porque elas eram ruins para a sociedade. Chorei também porque lembrei de meu grande amor, minha família e amigos, de como tudo aquilo fazia bem para mim. Balanço a cabeça em sinal negativo, abaixo-a e espero que meu fim chegue.
Sinto a bala perfurar meu peito com seu calor, vejo um filme rápido de tudo o que aconteceu em minha vida, sinto que a minha hora realmente havia chegado. Meu corpo amolece, e por cima, vejo meu corpo caído sobre aquela cadeira, e eu como alma, sinto-me livre, mas triste por ter feito o bem, e ter morrido mesmo assim por criminosos.

CONTO "MATANDO EM NOME DE..."

            Rick era um menino normal em uma creche normal, que em uma certa manhã ganha todos os brinquedos. Ele tem o monopólio de todos, e toda criança que quiser brincar terá que fazer um trabalho para ganhar algum tempo com um dos brinquedos escolhido por Rick.
            Rick como o mais novo ditador é muito esperto e controla os dois maiores meninos da creche para serem seus seguranças ou a policia do parquinho. Agora é ele quem dá as cartas, e quem discorda ou tenta brincar sem permissão ganha um nariz quebrado.
            Para tudo isso dar certo ele sabe que tem que por um contra o outro, afirmando que as outras crianças que são violentas, e que seus policias estão ali para cuidar deles.
            Ele destrói o passado, quem ousa lembrar que nem sempre foi assim, que todos tinham os mesmos direitos e os brinquedos eram divididos, é preso no chiqueirinho e não ganha suas balas. Rick se veste de roupas diferentes e chamativas, senta-se na cadeirinha mais alta e decorada, a às vezes até usa peruca branca encaracolada.
            Ele sabe que para isso durar ele tem acalmar as crianças, ou mudar o foco do ódio. A partir disso ele cria uma crença, que há um “ser” maior que acha tudo isso normal, e que se Rick tem tudo é porque ele é merecedor. Rick transformou suas leis em leis divinas e todos aceitaram com facilidade.
            Todos agora assistem seis horas de televisão por dia, todos parecem felizes. Mas como nada e perfeito, mas ele tem medo que na creche no outro lado da rua esteja acontecendo a mesma coisa e ele teme que o “Rick” de lá esteja pensando em pegar o que é seu, então ele convoca as crianças para formarem seu exército. Ele pede para que seus sacerdotes e comandantes façam uma propaganda acalorada e quase paterna para que todas as crianças em condições de lutar se alistem, pois suas famílias correm perigo e inventa muitas inverdades sobre as crianças da outra creche.
            - O povo de lá são animais que não acreditam em nosso Deus, eles não dormem a tarde e a que é pior: os meninos comem junto das meninas.
            O povo de sua creche fica enfurecido com tamanha heresia e todos que já sabiam caminhar se alistam. Rick satisfeitíssimo com o resultado, imediatamente escolhe seus comandantes e generais e acaba por acaba por criar as forças armadas da creche.
            Os batalhões são formados, todos já estão armados de seus mordedores e fraldas a prova de umidade. Eles atacam a creche vizinha e as crianças de lá não oferecem resistência alguma. Foi um ataque muito fácil, Rick ordena que todos os brinquedos deles sejam confiscados e enviados ao seu governo. Agora Rick faz com que todas as crianças de lá trabalhem para poderem brincar com seus brinquedos e diz que se ele tem tudo e porque Deus acha ele merecedor.

CONTO "O DEMÔNIO DE FRED"

Era uma vez, um menino chamado João. Ele recém havia completado dezessete anos e estudava no colégio Kypser. Era um menino rico, tinha muito dinheiro e gostava muito de humilhar as pessoas que não era da mesma classe social que a dele. Até que um dia ele humilhou um garoto que tinha a mesma idade que a sua e se chamava Fred. Os dois discutiam muito até que João ofendeu sua mãe e Fred deu um soco em João, que acabou quebrando o seu nariz.
Os pais de João ficavam revoltados e foram até o colégio falar com a diretora. Depois de uma longa conversa, os pais de João e Fred decidiram mandar os dois filhos para uma viagem, onde poderiam levar seus amigos juntos, com um único propósito "ficarem amigos".
Os dois grupos de jovens alugaram uma vã e foram para uma cidade pequena, que tinha o apelido de "Caldeira do diabo". Chegando lá, os jovens foram para seus quartos e combinaram de sair para jantar às oito horas em ponto. Já passava das oito e nada de Maria. Todos ficaram preocupados com o atraso da amiga até que resolveram ir ao quarto dela, mas ninguém atendia. Então resolveram arrombar a porta, Fred foi correndo procurar a amiga até que Joana deu um grito e todos foram até elas e se depararam com o corpo da amiga todo ensangüentado. Chamaram a polícia, mas não havia nenhuma evidência de quem tinha matado Maria. Passaram-se dois dias e ocorreram mais duas mortes, até que então João resolveu contratar um detetive particular. O detetive descobriu algumas coisas e tudo indicava que o assassino era Fred. Enquanto a investigação ocorria os jovens descobriram uma casa de magia, onde entraram e encontraram um bonequinho com o nome de Fred. Depois disso, os jovens resolveram ir mais fundo nas investigações até que descobriram que Fred estava possuído por um animal, um demônio, então os jovens resolveram escrever uma carta chamando o exorcista que chegando na cidade pegou uma bala de ouro branco e pôs na testa de Fred, dizendo algumas palavras. O exorcista conseguiu tirar o demônio de Fred, mas também disse:
- Um dia ele vai voltar, pois ele é como se fosse a sua sombra.

CONTO "O ASSALTO"

Era uma bela manhã de verão, seca e quente, típica do Rio de Janeiro. Já estava tudo armado, era o plano perfeito, o golpe fatal. Meu parceiro Pé-de-cabra e eu planejamos assaltar a lotérica, no fim do expediente. Ficamos esperando em frente a lotérica, dentro de minha Kombi, até o momento de abocanhar a presa. Horas passaram-se . Quando estávamos jogando carta dentro da Kombi, vimos a porta do estabelecimento se fehcando. Falei para o pé-de-cabra:
- Agora é a hora, meu parceiro!
- É a nossa chance, Papagaio.
Pegamos nossas armas, nossas tocas ninja e invadimos a lotérica. Lá dentro estava apenas o gerente, contando o dinheiro e fazendo o fechamento dos caixas. Anunciamos o assalto e pedimos que nos entregasse voto o dinheiro. Ele ficou imóvel pois estávamos armados. O gerente na hora de ensacar o dinheiro, apertou um botãozinho que havia em baixo do balcão, no qual era um alarme para a polícia. Quando percebi o que ele tinha feito já era tarde demais. A polícia cercara o local. Estávamos trancados lá dentro, com o gerente de refém.
Enquanto Pé-de-cabra pegava o dinheiro e cuidava para manter o refém quieto, eu tentava pensar em algo para podermos escapar. Mexia na boca e no nariz, pensativo, mas nada me veio à cabeça. A polícia na rua tentava fazer contato e ameaçava invadir o local. Tolice, eu mataria o refém. Pude pensar um pouco mais e disse ao Pé-de-cabra:
- Anda, animal, tive uma idéia para tentar fugir, chame o refém e venha comigo.
- "Tô" indo, Papagaio.
Perguntei ao gerente onde ficava a saída de emergência, ele disse que não tinha, pois o chefe dele se recusara a fazer, apesar de ser norma. O meu plano B foi recorrer à saída pelos fundos. Acompanhado do Pé-de-cabra e do refém, fui até lá com a intenção de superar a capacidade de raciocínio da polícia e fugir com o dinheiro e sem dano algum. Quando meu parceiro abriu a porta, os policiais ali estava e, como um raio, uma bala acertou o peito do Pé-de-cabra, que caiu morto na hora. A única saída era me entregar.
Libertei o refém e fui ao encontro da polícia. Me levaram para o 32DP de Copacabana. Minha mãe e minha filha estavam lá me esperando, pois já tinham sido avisadas do ocorrido. O maior desgosto da minha vida foi a minha filha me ver sendo arrastado pelos brigadianos, como um cachorrinho que é pego pela carrocinha, com o rabo, entre as pernas. Fui a julgamento e fui condenado a quinze anos de cadeira. eu me achava esperto, mas a vida do crime é mais, e hoje o malandro Papagaio está preso atrás das grades. A vida me provou que o crime não leva a nada.

CONTO "UMA CARTA E UM CORAÇÃO PARTIDO"

Esta história se passa na “cidade maravilhosa”, o Rio de Janeiro, mais especificamente no bairro de Ipanema, que era como é até hoje um verdadeiro desfile de mulheres, elas pareciam mais deusas do Olímpo. É sobre uma delas que vamos falar.
            Seu nome era Daniela, morava em um modesto prédio do bairro e vivia cheio de marmanjos em sua volta, por ser dona de uma beleza hipnotizante destacava-se diante de qualquer monumento criado por Deus. Essa beleza fazia com que os homens caíssem a seus pés, tudo em vão.
            Somente um homem conquistava seu solitário coração, um admirador secreto que quase todos os dias lhe mandava presentes que derretiam o mais gelado dos corações. Daniela sempre recebia uma carta com um poema e uma bala dentro, acompanhada de um buquê de flores e um bichinho de pelúcia.
            Daniela sempre se perguntava quem era esse tal admirador, pois ele foi o único homem que havia feito ela se apaixonar sem sequer saber seu nome. Será que ele era um “animal” ou será que tinha nariz empinado?
            Essa dúvida consumiu-a por inteiro, até que o dia que ela tanto esperava finalmente chegou. Em uma noite de sexta-feira quando Daniela se preparava para dormir ouviu o toque da campainha, estranhou, mas atendeu. Para sua surpresa teve a prova de que era o tal admirador secreto, pois ele segurava os presentes que ela sempre ganhava.
            Ficou mais espantada quando descobriu que era um ex-namorado de adolescência, ele jamais a esquecera. Daniela e Fernando depois daquela noite nunca mais se desgrudaram, casaram-se e viveram felizes pelo resto de suas vidas, como se cada dia fosse o último. 

CONTO "NOITE MACABRA"

Em uma bela noite estrelada, numa fazenda muito extensa, aconteceram fatos que horrorizaram a vizinhança. Naquela noite iluminada pelas estrelas e pela luz do luar, começaram a acontecer coisas estranhas na fazenda de Seu Mário.
A casa de Seu Mário e Dona Lurdes era grande e muito estruturada dela não foi o suficiente para se livrar de algo que parecia um terremoto; mais que ao mesmo tempo parecia barulhos de um animal. O casal estava muito aterrorizado com tudo aquilo, porque nunca tinha acontecido nada parecido, pelo contrário a fazenda sempre foi muito calma.
Depois de alguns minutos aquelas coisas aterrorizantes pararam, e então, Dona Lurdes disse para Seu Mário que estava indo embora daquele lugar. Quando ela saiu encontrou com a caixinha de correio caída no chão e muitas cartas jogadas, então ela as juntou e ficou mais aterrorizada ainda, porque nas cartas haviam apenas marcas de sangue e nelas nada escrito e as cartas inundadas de sangue estavam amarradas em um saco de balas que também estava cheio de sangue.
Então ela correu para o marido de volta e viu que ele estava quase morto, perdendo muito sangue pelo nariz e pela boca. Ela foi até a polícia, e lá esclareceu tudo que havia acontecido.
A polícia chegou ao local do acontecimento e logo se deparou com a casa intacta, sem haver nada do que a senhora havia falado. Os policiais acharam muito estranho tudo aquilo, será que Dona Lurdes estaria ficando louca?
Decidiram levá-la para uma clínica de problemas mentais e lá descobriram que ela estava com problemas mentais mesmo, e aquilo tudo que havia acontecido era coisas da imaginação dela. E por fim, ela ficou internada, e logo após o marido faleceu por falta da sua amada esposa.
Fim!

CONTO "VADIA"

Ele disse que eu não merecia seu amor. Me olhou com seus olhos raivosos, então levantou aquele revólver que ele tanto lustrava, apontou-o para mim e disse, com seu hálito de bala de menta, a última palavra que eu ouvira: - Vadia.
Ouve um barulho, um estouro. Senti uma forte pressão em minha barriga, do lado direito. A dor veio junto ao sangue que escorria. Foi a pior sensação que eu pude sentir. Era algo me infectando, algo que meu corpo não estava acostumado. Um furo, por onde escorria sangue. Sangue, muito sangue. Não conseguia parar aquilo por mais que eu quisesse. Coloquei a Mao em minha barriga, comecei a chorar com aquela tremenda dor. Me revirei sobre os lençóis da cama, na qual havíamos passado a noite.
E ele ali, parado. Apenas vendo o meu sangue. Com uma cara de nojo, raiva, fúria. Um animal nojento. Nem sei descrever direito.
Dor, muita dor. Sangue, muito sangue. Eu queira que aquela dor parasse, mas não havia maneira. Era uma dor horrível. Meu corpo todo estava sentindo aquela dor. Meus órgãos foram perfurados, e deles estava saindo sangue, muito sangue.
E ele nem para dar um tiro final, na cabeça ou em algum outro lugar. Ele queira era me ver agonizando e sofrendo. Aquilo era excitante para ele. Fetichista demoníaco!
Minha cabeça começou a doer, ela parecia que iria explodir. As coisas estavam se tornando duplas, eu estava tonteando. Vomitei sangue e também expeli pelo meu nariz. Tudo começou a ficar escuro. Olhei para ele pela última vez. E pensar que tudo aquilo foi em vão. Apenas por uma carta que eu tinha recebido de outro homem, um amigo meu, só que no final estava escrito: “Eu te amo”. Puro ciúmes e inveja. Puro ódio e rancor. Insegurança de uma pessoa descontrolada. Eu poderia ter sido feliz ao lado dele, se ele não fosse assim, desse jeito. Tudo aquilo que eu, que eu planejei, que eu sonhei. Todos meus planos ao lado dele estavam ruindo, estavam acabando...
Não tinha volta, o que ele fez foi algo irracional. Algo do qual só pessoas descontroladas fazem. Ele acabou com tudo, com sonhos, com planos, com o futuro tão desejado por muitos, com a felicidade. Como pude amá-lo? Deveria ter conhecido quem ele era realmente, antes de começar um relacionamento. De que ele era aquela pessoa. A pessoa que me fez ter a pior das dores.
Tudo aquilo passando em poucos segundos em minha mente e eu não podia fazer nada, estava apenas sofrendo. Estava tonta e tudo estava escurecendo. Olhei para o lado e ri, pela última vez os olhos de desgosto e raiva, e talvez remorso. Foi a última coisa que vi. Olhei para ele, tudo escureceu. Eu morri.

CONTO "O QUADRO"


Acordei inspirada, fazendo um breve quadro totalmente sem sentido, nele havia um cenário verde, onde se percebia coloridos em destaque, me focava tanto, que me sentia nele, naquela história, dentro dele. Quando ouço uma voz suave:
- Bom dia, minha amiga! Vamos acordar, tenho piadas a lhe contar, com este nariz, só posso ser seu amigo palhaço e não vou negar!
Me sinto feliz e lhe pergunto:
- Onde estamos? Logo recebo uma resposta:
- Você saberá, logo lhe aparecerá.
Ele some, fico sozinha, voltando a pintar o quadro, quando começo a ver animais, eles fazem sons relaxantes, alguns estressam, fecho os olhos e peço para sair, mas não sei como. Afinal onde estou?
Volta meu amigo palhaço e logo aparece um baralho de cartas e ele fala:
- Escolha uma e conhecerás o paraíso, garanto que ira gostar disto!
Escolho a carta, ainda sem entender, quando vejo uma chuva. Chuva de balas, eu me sentia tão feliz, mesmo não sabendo onde estou, me sinto bem. A minha volta, veio somente o céu, palhaço, animais, e uma chuva de balas maravilhosas.
Continuo andando pelo paraíso, gostando daquele lugar, quando grito:
- Palhaço! Onde estou? Como me conheces?
Ele só sorri e diz:
- Eu sou seu amigo palhaço não vou lhe negar, mas esta resposta eu não posso te dar.
E, mais uma vez, fico sozinha. Sinto meu corpo relaxar, meio que flutuar... E ainda me pergunto:
- Onde estou?
... Acordo, já é tarde, estou na cama, na minha cama, não entendo nada. E ao lado da minha cabeceira uma carta:
Olá minha amiga; aqui é seu amigo palhaço! Olhe para o seu lado, verás onde estavas e quem sou eu? Apenas seu amigo!
Olho para o lado ainda confusa e vejo o quadro, com o paraíso com qual eu sonhei, pintado por mim, e ali realizada ainda sonolenta...

CONTO "SANGUE FRIO"

Cheguei em casa com muitas imagens na cabeça. Corri para o sofá e me senti lá ofegando, mas agora aliviada pela sensação de estar salva.
O homem que me seguiu pela rua desde a praça, a duas quadras de minha casa, estava me dando um frio na espinha desde que o vi lá, sentado no banco. Passei por ele e alguns segundos depois ele levantou-se e veio, vagarosa e calmamente atrás de mim.
Me lembrei que era quarta-feira à tarde e eu devia checar o correio. No meio de todas aquelas cartas de bancos e propagandas, havia uma carta em um envelope branco e delicado. Não havia remetente, mas havia meu nome. Abri a carta e ela dizia: “Tome cuidado”.
Cambaleei para trás, tonta, de repente com a triste noção de que não estava sendo seguida. Estava sendo conduzida.
Atravessei o pátio lentamente, ainda em choque. Quando entrei pela porta, me arrependi do que fiz.
Havia um homem sentado em meu sofá, mas eu ainda não conseguia vê-lo, ele estava de costas para mim. Mas, pelo casaco que usava, reconheci como sendo o homem que me seguiu.
- Q-quem é você? – Perguntei gaguejando, com a voz rouca e muito mais fraca do que eu imaginava.
- Eu falo aqui – e dizendo isso, levantou-se e veio em direção a mim. Era muitos centímetros mais alto que o meu um metro e sessenta e cinco, e tinha uma arma na mão. Arfei e ele sorriu.
- Não devia ter fugido de mim. – E deu mais alguns passos, me fazendo andar para trás e bater com as costas na parede. Oh, não!
Ele me segurou pelos ombros contra a parede com uma força incrível. Estava furioso como um animal, e de repente levantou o punho esquerdo e acertou meu nariz.
Ouvi um grito penetrante, e demorei alguns segundos para entender que era meu. Chorava intensamente, cega pela dor, quando de alguma forma ouvi o barulho do gatilho.
- Não, não, por... – e então a arma bateu em minha têmpora... e tudo se escureceu. Tinha certeza, por um segundo, que a bala havia atravessado minha cabeça, mas então eu fiquei à deriva e tudo acabou.

CONTO "A CARTA DOS MEUS SONHOS"


Senti-me surpresa quando me deparei com aquela carta sobre a mesa. Não havia mais ninguém em minha casa somente eu e meu silêncio. Não tinha idéia de como aquelas folhas brancas, com alguns detalhes em dourado, haviam chego em minha casa. No centro de minha mesa, onde somente eu tinha as chaves e não imaginava quem pudesse ter posto aquilo ali.
Entrei, larguei minhas coisas do trabalho sobre o sofá. Pensava em não ler, mas minha curiosidade falou mais alto. Escutei alguns barulhos na rua. Estranhos, mas deveria ser alguém tipo de animal passando por ali. No entanto, voltei a me concentrar na carta. Peguei-a em minhas mãos. Não tinha remetente, não tinha nada ou pudesse descrever quem havia me mandado. Nela encontrei palavras que não condiziam comigo, mas outras falavam sobre meu passado e pensamentos. Até mesmo de sonhos que tive, os quais ninguém além de mim sabia. Haviam palavras sem nexo, falando sobre olhos, boca nariz, cabelos desfigurados, coisas que aos poucos vinham. Algumas lembranças concretas. Senti naquele momento uma brisa leve passando em meu rosto. Não sabia de onde vinha nem por qual motivo. Olhei e todas as janelas e portas estavam fechadas.
Me veio então um medo repentino, o qual eu nunca sentira antes. Fui até a cozinha. Peguei um copo e bala de café. Era o que me acalmava.
Sentei-me no sofá novamente estava disposta a terminar minha careta. Não sabia até então por qual motivo ela estava em minhas mãos e contendo todos aqueles fatos. Depois de ler até o fim, senti um alívio inconstante ao perceber que acordei em minha cama e que tudo não havia passado de mais um de meus pesadelos desde que era criança.

CONTO "O EX-AMOR (DE TEMPOS EM TEMPOS)"


Hoje, que eu fui ver a carta que meu ex-namorado deixou e depois disso pensei, como pude namorar com esse animal, como pude ficar tanto tempo junto com uma criança, porque pelo amor de Deus, só uma criança termina um relacionamento de quatro anos, por uma carta.
E eu, que gostei tanto dele, me sinto como se tivesse levado um tiro, que uma bala tivesse se alojado no meu peito. Sinceramente, não sei o porquê disso, nos estávamos tão bem. Eu não entendi ele, acho que nem ele se entendeu na verdade, que estranho, é como se ele estivesse confuso, eu nunca dei motivos para isso.
Na carta, ele dizia que não podia mais continuar desse jeito, que algumas coisas mudaram de uma hora para outra e que ele se sentia fora do normal. Mas dizia também, que não saberia viver sem mim, que para ele, eu era tudo. Pois é, eu também achei estranho.
Se eu visse ele agora, depois de um mês do nosso termino, eu iria fingir que nem o conheço, afinal, não foi ele quem disse para eu viver minha vida, eu estou vivendo. Esses dias passei por ele, levantei minha cabeça, procurei nem olhar, mas se eu pudesse, quebrava aquele nariz dele, já que é feio mesmo, quem sabe, ele até fique melhor.
Hoje, fui num jantar de alguns amigos , ele estava lá, tentou ser meu amigo, tentou se reaproximar, mas contei a novidade, a melhor que eu podia contar, depois de dois anos, vou me casar, daqui a um mês. Ele saiu da sala, eu estava tão feliz que nem percebi. No final, eu sei que o que era para dar certo na minha vida, iria dar, caso contrário, não era para acontecer.

CONTO "PLANÍCIE AFRICANA"

Ele deu mais alguns passos, mas muito lentamente, buscando compensar seu peso excessivo. O calor nas planícies das savanas é escaldante, e o sol que flutuava a uma hora lançava seus raios contra o rosto dos caçadores.
- Respire vagarosamente, e mantenha o dedo no gatilho. – disse Jorge, já experiente em caçadas na savana. Mas não aperte muito, ou ainda irás atirar por descuido. Respire, Jean, respire.
Jean sentia o pulso forte, os batimentos acelerados e o suor excessivo escorrendo por sua têmpora. Apertou a mão contra o cabo. O cabo em mogno de sua Marlin 87. 22, que apontava precisamente para o pescoço do leão.
- Não mire na juba, uma .22 não passa por aquilo. Mire no centro dos olhos.
Era fácil falar, mas para o jovem Jean, que nunca havia matado um pássaro, era uma tarefa terrível.
- Você tem tempo, garoto. Ele vai ficar a comer aquela carcaça um bom tempo. Talvez até o fim da tarde! Sem pressa! - disse, coçando discretamente o nariz.
Ele respirou fundo, e apertou ainda mais as mãos contra o rifle.
E então atirou. O som do projétil ecoou pela planície, fazendo um grupo de aves levantarem vôo em algum emaranhado de árvores duzentos metros atrás deles. Jean estava aterrorizado, mas resolveu suprimir o medo e aparentar dureza. O leão estava lá, caído. Estava morto, sem ao menos se debater.
- Muito bom! Uma bala certeira! É assim que se acaba com um animal deste! – deu um tapinha nas costas do menino que tentava controlar a tremedeira. – Bom tiro, Jean.
Ambos se precipitaram em direção ao corpo inerte do leão, que agora concentrava uma massa significativa de sangue acima do focinho. Jorge cutucou-o com um galho, e nada aconteceu, a não ser o farfalhar dos pêlos sujos.
- Morto. O tiro foi preciso. – franziu o cenho enquanto se agachava perto do buraco da bala. – Irei escrever a carta ao seu pai, e notificarei sobre o ocorrido. Parabéns, Jean.
Jean movimentou a cabeça lentamente, concordando. O vento vespertino típico de fim de tarde se chocou contra o garoto, que, inerte como o leão, fitava o rifle caído em sua mão esquerda.
- E aí, menino? Qual a sensação? Boa, não? – perguntou Jorge, visivelmente deleitando-se com o trabalho bem feito.
- Boa, Jorge...
Mas não era. Jean se sentia mal, como se sua consciência desfalecesse sobre seus ombros com peso esmagador. Por que havia feito aquilo? Havia sido obrigado? Não! Apenas para provar que era capaz, que não era um medroso inofensivo, como seu pai gostava de repetir.
Agora seria considerado um homem, um homem maduro. Ele pensara que se sentiria feliz, orgulhoso do feito; mas agora, com o corpo ensangüentado aos seus pés, sentia como se tivesse mordido uma fruta podre.
- Vamos à taverna que tem na cidade, Jean. Vamos espalhar seu feito! – sorriu, deu mais alguns tapinhas afetuosos nas costas do garoto, e iniciou a caminhada de volta.
Jean, como que acordando de um devaneio, tratou de segui-lo.

CONTO "EMILY"

Já faz tanto tempo, os anos passam e passam e eu não esqueço. O rosto daquela menina ficou em minha memória para sempre.
Era maio de 1875, mais precisamente dia 13 de maio, não por acaso uma sexta-feira. Lá fora uma tempestade se armava, o vento assoviava e as árvores batiam na janela do quarto de Emily.
Para a maioria das pessoas podia parecer um dia normal, mas não para Emily. Ela havia sido abandonada, ainda muito pequena, em uma floresta e encontrada por duas mulheres. Como sabiam que a criança não sobreviveria lá em meio a tantos animais e todo perigo de uma floresta imensa e sombria a adotaram.
No bolso de sua calça, havia uma carta que tinha sido escrita por sua mãe. Aquela era a única pista de onde ela vinha e também sua única identificação, já que a menina não sabia ainda falar.
O início não foi nada fácil. Não tanto para Emily, mas sim para suas novas mães. Elas eram bruxas e moravam naquele lugar há séculos. Eram acostumadas com uma rotina sombria: faziam poções, dormiam dias seguidos e, de vez em quando, saíam para passear e observar as sombras que lá rondavam. Agora tudo teria que ser diferente: elas tinham uma criança para criar.
Na verdade, Emily trouxe uma alegria incrível para elas, que descobriram uma sensação até então desconhecida. Agora estavam vivendo por outra pessoa, estavam amando. Sem dúvida, a rotina delas mudou muito. Elas não eram bruxas iguais aquelas que aparecem nos desenhos e filmes com a verruga no nariz e vassoura, mas um costume elas não conseguiam deixar de lado, toda sexta-feira 13 saíam para “assombrar” as cidades próximas e Emily ficava sozinha.
Emily já era adulta, na verdade, já tinha quase oitenta anos, mas para suas mães continuava sendo um bebê.
Naquela sexta-feira chuvosa, não foi diferente. Elas saíram e Emily ficou ali, sozinha A surpresa foi que, quando voltaram, ela dormia um sono profundo e eterno. Fizeram de tudo para acordá-la, mas havia chegado sua hora.
Elas não tinham mais razão para viver. Não tinham porque continuar ali. Tentaram por inúmeras vezes criar feitiços e balas envenenadas que as fizessem dormir como Emily, mas nada aconteceu. Naquele momento elas descobriram que de nada adianta ser imortal quando se ama.

CONTO "GRAVIDEZ"

Era casada, bem-sucedida, com uma casa num bairro nobre da cidade, tinha um marido atencioso, lindo, cheio de vida, mas faltava uma coisa que eu sempre desejara: um filho. Vivíamos tentando até que consegui, mas minha felicidade logo iria acabar. Comecei a ter dores logo no segundo mês e elas só estavam começando.
Decidi procurar um médico, pois não era normal. Claro que não! Ele me receitou pílulas que pareciam balas de morango e não faziam efeito algum. No meu quarto mês, ganhei de Roberto um cachorrinho, um animal para me fazer companhia enquanto ele viajava.
Estávamos a brincar meu animalzinho e eu quando tive uma pontada na cabeça, levei a mão ao rosto e percebi que meu nariz estava sangrando, e logo o sangramento se estendeu para o ventre e foi só o que pude ver.
Acordei desorientada em um hospital. Os médicos entravam e saiam, e pareciam não ter a resposta. Implorei por saber o que estava acontecendo e um deles me disse que era só um susto e me liberou logo em seguida.
Estava na sala quando recebi uma carta de Roberto dizendo que não poderia vir para casa, mas que me amava muito e tentaria voltar o mais rápido possível. Quando voltou estava mudado, não era aquele homem vivo de sempre, mas ficou me acompanhando todos os meses. Os pais não ocorrem nenhum problema, estava me sentindo vitoriosa quando senti uma forte pontada no ventre, mas sabia que era hora de dar à luz quem eu esperava tanto. Roberto foi quem me levou ao hospital, parecia ansioso e queria entrar na sala de parto comigo, ficou ao meu lado até enquanto tomava anestesia. Já na sala de parto, o clima era outro, algo estava errado e as contrações só aumentavam, ele tinha nascido, mas não me deixavam vê-lo, não chorava, não se movia, algo não estava bem, enquanto tentava ver o seu rosto as enfermeiras me impediam, foi quando vi uma brecha e num impulso levantei e vi que meu pequeno Bruno havia morrido.

CONTO "E AGORA?"

Era como se nos conhecêssemos há tempos, como se já tivéssemos nos visto antes, mas a verdade perpetuava, pois tudo começava ali, naquele momento.
Mal sabíamos o que nos reservava o futuro, só sei que nos tornamos grande amigos, assim como um animal (cão) com seu dono. Não tínhamos todos os gostos iguais, eram apenas algumas coisas em comum, como a vontade de comer a mesma bala, ou escutar a mesma música.
Se nos conhecíamos pessoalmente? Na verdade, sim e não ao mesmo tempo, pois já havíamos nos visto de longe, mas palavras trocadas jamais foram ditas. Talvez esse tenha sido nosso maior problema, nunca falar o que queríamos.
Meses se passavam e a amizade ali continuava, firme como uma rocha. Agora, uma pergunta: Seria mesmo uma amizade, ou um amor “medroso”? Eis a questão.
Mensagens eram trocadas freqüentemente, textos eram escritos, muitas vezes depois de desentendimentos, a verdade é que embora não fisicamente, não vivíamos um sem o outro, era como se precisássemos um do outro para tudo, pois sempre nos aconselhávamos, sempre pedíamos ajuda e auxilio em cada situação difícil.
Até que algo aconteceu e mudou nossas vidas, eu havia o “traído”, na verdade não poderia considerar o que fiz como uma “traição” já que jamais tivemos algo, mas foi assim que ele a considerou, como uma “traição”. Quer saber o que eu fiz? Fiquei com um dos amigos dele, e isso o machucou muito. Então tudo o que eu considerava suposição se confirmou, ele realmente gostava de mim, e eu também sentia o mesmo, já que, depois de sua perda, eu acabei por sofrer.
O que antes era diário se tornou “nunca mais”. Paramos de nos falar e, quando eu tentava puxar algum assunto, sentia ele “seco”, ríspido comigo.
Meses se passavam e nada... Agora eu o via todos os dias, havia me mudado para a mesma escola que ele, eu não me segurava ao tentar procurá-lo, meu nariz procurava seu cheiro, mesmo não sabendo ao certo qual era... Até que propus a ele nos distanciarmos de vez, para que ele pudesse esquecer o que aconteceu, procurávamos não ficar nos mesmos lugares, mas isso de nada adiantou, a tentativa de superação havia dado errado, pois ele realmente se encontrava decepcionado.
Foi quando, depois de um mês, o encontrei namorando... No início, fiquei bastante triste, mas depois obriguei-me a me acostumar... Tudo continuava igual, não nos falávamos, nos evitávamos, enfim tive de me acostumar, embora aquilo me machucasse...
Recentemente, ele terminou seu namoro e, por ironia do destino, voltamos a nos falar, não todos os dias, não como antes, mas “voltamos”... Será agora nosso momento? Será agora nossa chance, ou tudo não passará do pensamento novamente?
Ainda penso em lhe mandar as cartas que escrevi e não enviei, será que devo? O que as cartas me reservaram? O que o destino reservará para nós?

Continua...

CONCURSO "AMIGO-INIMIGO"

Era um lindo dia na cidade de San Pedro, os pássaros cantarolavam felizes sobre as árvores, animais sentiam a brisa suave que tocava seu corpo e pessoas se sentiam felizes, pois um novo ano se aproximando.
Tudo parecia estar correndo bem para Joe, ele estava indo para seu trabalho às 9h30min da manhã, quando chega senta-se em sua cadeira no seu escritório particular, localizado na rua London Bridge, liga o seu computador e começa o seu trabalho até às 18h.
Joe morava com a sua ame no apartamento Verona Beach, sua mãe tinha problemas cardíacos, toda vez que ela sentia-se mal ela telefonava pro filho, para que o mesmo pudesse ir correndo até ela. Em um certo dia, quando Joe estava conversando com sua funcionários, ele recebe uma carta de sua empregada com a seguinte informação.
“Eu matei ele, pois você fez
algo que me prejudique,
e também minha família,
agora é minha vez de tirar
todos os seus bens!!!”
Ass: Z
Ele começou a entrar em desespero, começou a chorar muito, teve que retirar-se de seu escritório pois estava aos prantos e logo foi para sua casa. Quando ele chegou lá os peritos estavam investigando todas as peças da casa sua mãe estava morta, sentada no sofá, com sua testa cheia de sangue, os peritos que investigam o local não encontraram nada, nenhuma digital ou algo que pudesse comprovar quem é o bandido.
Joe, com o passar dos tempos, tentava descobrir quem seria o bandido, mas Joe não sabia quem era ele tentou se lembrar de alguma coisa que ele fez para alguém, nisso ele lembra que a uns três anos prejudicou a vida de um amigo seu levando o filho de seu amigo para viajar, nisto acontece um acidente matando a filha de seu amigo e sua família. Ele lembrou que tinha o número de seu amigo no seu telefone. Joe ligou para ele, os dois discutiram por telefone e marcaram para se encontrar na rua Broklyn na baixa Califórnia.
Chegada o grande dia dos dois amigos-inimigos se encontrarem, Joe estava lá como o prometido de 11h30min, ao se encontrarem eles começam a tirar satisfações um com o outro. Os dois se batem, brigam, rolam no chão. Joe estava com muitos cortes em seu rosto, e seu amigo estava com sua boca ensangüentada e seu nariz quebrado.
Seu amigo retira uma arma na cintura de sua calça e coloca bem na cabeça de Joe, ele falou para seu amigo não fazer aquilo, pois iria se arrepender, ao acionar o gatilho. Policiais que estavam com Joe atiraram e a bala passou bem no peito de seu amigo conseguindo prendê-lo.

CONTO "O PARQUE MALDITO"

Eu tinha uma melhor amiga, como todos temos um(a) melhor amigo(a). Nos divertíamos muito quando saíamos para passear, sem pressa de voltar.
Estava em minha casa, deitado em minha cama, quando Natália chegou para mim, fazendo um convite, dizendo as seguintes palavras:
- Tenho um lugar novo para irmos, Mateus!
- Onde?
- É um parque que chegou há pouco tempo na cidade, dizem que ele é ótimo!
Confesso que fiquei muito entusiasmado para ir, mas não podia sair de casa porque estava de castigo, por causa daquela falta de pressa de vir para casa quando saía. Então dei-lhe uma desculpa...
- Não posso sair porque ontem comi uma bala que me fez mal. Também está muito quente para sairmos, você sabe que meu nariz começa a sangrar quando fico muito tempo debaixo do sol.
Em minha consciência, acho que ela entendeu, mas via-se que ela ficou desapontada. Saiu dizendo que iria sozinha.
Voltei a jogar vídeo-game, que é uma coisa que sei fazer muito bem. Me lembro bem, eram dez horas da manhã.
Quando chegou a hora de almoçar, fui à rua para lavar as mãos, pois não tinha água no meu banheiro.
No momento em que abri a torneira, passou do meu lado um animal que nunca tinha visto. Claro que me espantei um pouco, pois era todo branco com os olhos vermelhos. Logo após, fui almoçar.
Peguei o garfo e a faca, mas quando fui fazer o movimento para ingerir o alimento, entrou uma carta muito bonita pela janela, que assim dizia:
“Naquele Parque, onde não ir foi a decisão certa, existe alguém muito próximo                          
                                                                                                                    Deus
Fiquei extremamente espantado, não com o que estava escrito, mas sim com quem a escreveu... Deus!
Não consegui ler o resto, porque a carta rasgada.
Mesmo sabendo que não podia sair de casa, decidi por ir ao tal Parque.
Chegando lá, reparei que não tinha uma sequer pessoa, mas tinha uma placa na entrada, dizendo o seguinte:
“Entre se quiser, arrependa-se se puder...”.
Cheguem à conclusão que quiserem, mas aquela frase me deixou com medo.
Logo que entrei, notei que uma placa apontava para a direita em direção à outra placa que apontava para a esquerda. Decidi então seguir as placas, com esperança de achar alguém.
Ao término das placas, me encontrei em um lugar totalmente escuro, sem poder ver um palmo na minha frente.
Confesso que fiquei um tempo me perguntando onde estaria, até que ouvi uma voz me dizendo:
- Saía para não se arrepender depois!
Fiquei muito espantado com as palavras ditas, por uma voz que parecia a de Natália, sendo isso mais apavorante. Em um certo momento, cheguei a pensar que fosse uma pegadinha, então decidi acender a lanterna do meu celular. Quando acendi, tive a maior surpresa da minha vida...
Sim, era Natália. Estava com a cabeça baixa e muito triste. Não cheguei a olhar seu rosto, quando consegui reconhecê-la, vi que era mesmo ela, pois estava com a mesma roupa que algumas horas atrás, quando conversou comigo.
A curiosidade veio, então resolvi perguntá-la:
- O que está fazendo aqui?
Ela me respondeu com voz estranha, fazendo-me entender somente o final de suas palavras...
- Olhe à sua volta!
Resolvi então olhar. Avistei várias pessoas de preto, com a mesma expressão de Natália.
A decisão que tive foi logo sair correndo dali, mas quanto mais corria, parecia que mais devagar ia. Ouvia também passos, parecendo estar alguém atrás de mim.
Ao avistar a luz, me senti mais seguro. Parando um pouco para descansar, olhei para baixo e avistei um papel, onde dizia...
“para te ajudar, esse alguém sou Eu.”
Conclui então que esta era a parte que faltava na cara. Logo mais à frente encontrei um mapa. Sim, era o mapa do Parque, onde tinha um labirinto sem saída. Sim, eu entrei nesse labirinto, mas achei a saída. Também continha nesse mapa os nomes dos integrantes desse parque, com o nome de Natália incluso. Achei por um tempo que senti espanto ao extremo, até aquele momento. Descobri também que aquilo não era um Parque qualquer, onde crianças e adultos brincam, mas sim um lugar onde pessoas que morreram se encontravam. Percebi que também estava morto e que aquilo que recebi não foi uma carta, mas sim um convite.
Comecei a sentir uma fraqueza e tontura, quando de repente ficou tudo escuro.
Estava deitado novamente em minha cama. Fiquei muito feliz ao perceber que aquilo tudo não passou de um sonho. Liguei para Natália para contar-lhe meu sonho e a convidei para vir à minha casa. Deitei mais um pouco, esperando ela chegar.
Quando chegou em minha casa, abriu um sorriso enorme, dizendo-me que tinha um convite para fazer, dizendo as seguintes palavras:
- Chegou um Parque na cidade, dizem que ele é ótimo! Vamos?

CONTO "O ESTRANHO VIZINHO"

Certo dia, Gabriel acorda, levanta, toma seu café e vai até a caixa de correio buscar suas cartas. Então ele olha para o lado e vê seu vizinho Bernardo colocando o lixo para fora.
- Bom dia. Disse Gabriel não obtendo resposta.
Bernardo era baixo, tinha cabelos pretos com fios brancos, nariz meio torto, e uma cicatriz ao lado de seus olhos negros.
Gabriel entrou e olho discretamente para a janela e volta a tomar seu café enquanto abre suas cartas. Ele lê um anúncio que estava entre as cartas, abriu uma loja de caça na cidade. Gabriel decide ir até lá depois de seu trabalho.
Enquanto Gabriel sai de casa de carro olha para o quintal dos fundos de seu vizinho, e o vê com uma pá cavando um buraco na terra, então vai para o trabalha com aquilo na cabeça.
Gabriel trabalha em uma empresa multinacional, ganha bem, e é solteiro. Depois do trabalho, costuma passar no banco e comprar revistas de esportes. Saiu do trabalho foi na banca e depois na loja que viu no anúncio, e encontrou Bernardo lá comprando balas de rifle. Então decide comprar um binóculo para observar seu vizinho.
À noite, pegou seu binóculo e foi até a janela, viu Bernardo entrando na floresta que havia atrás de suas casas.
Mais tarde, Gabriel acorda assustado com um barulho de tiro. Então olha pela janela, seu vizinho carregando um saco preto. Estava caçando pensou Gabriel, mas quando olhou com o binóculo, viu uma mão para fora do saco. Não conseguiu dormir direito com aquela imagem em sua cabeça.
De manhã, ele fica em casa, pois não ia trabalhar hoje, espera seu vizinho sair de casa e vai até os fundos da casa dele investigar. Gabriel olha pela janelinha da garagem e vê uma cabeça de animal presa à parede. Então olha para o chão  e vê um rosto de sangue até o porão.  Decide abrir a garagem, mas enquanto investigava uma viatura para e um policial desce e diz:
- Fique onde está! Agora vá até a viatura e coloque as mãos sobre ela! Alguém fez uma ligação acusando-o de invasão de propriedade!
Enquanto isso, Bernardo chega e derruba a sacola de pão quando vê a viatura e corre desesperadamente para a floresta.

CONTO "ANITA"

Eram quase nove horas quando tudo começou, o sol já havia partido, a noite era fria e não havia se quer uma estrela no céu. Anita, senhora de aproximadamente sessenta anos, residia em uma das casas mais luxuosas de São Paulo. Seu cômodo predileto era a sala-de-estar, e era exatamente lá onde ela se encontrava assistindo suas novelas, enquanto degustava deliciosas guloseimas, rapaduras, balas, enfim, diversos tipos de doces. E foi naquele momento que seu telefone tocou pela primeira vez.
- Pois não? – Perguntou Anita, escutando com atenção a voz do outro lado da linha.
- Oi, vovó. Sou eu, seu neto Cláudio. Estou ligando para comunicar-lhe que vou passar alguns dias aí com a senhora. Já que você mora aí sozinha nesta casa tão grande, acho que não vai se importar, não é mesmo?
- Mas é claro que não, Cláudio. Estou aguardando sua chegada. – Respondeu Anita, desligando o telefone.
Anita então se deu conta de que seu neto nem ao mesmo avisou o dia de sua chegada, mas imaginou que não viria aquelas horas da noite. O relógio marcava dez horas quando o telefone tocou novamente.
- Pois não? É Anita! Quem está falando?
Mas, desta vez, ninguém respondeu a Anita. Sendo assim, resolveu deixar suas novelas e guloseimas e ir para seu quarto. Logo pegou no sono e adormeceu, mas não por muito tempo. Aproximadamente quatro horas da manhã, um novo telefonema fez com que Anita despertasse.
- Pois não?
- Você está sozinha nessa casa enorme, minha boa senhora? Perguntou alguém a Anita antes mesmo de se identificar.
Anita se assustou e insistiu:
- Mas quem está falando?
Desta vez, um homem com voz rouca não lhe respondeu absolutamente nada, apenas esperou alguns instantes e desligou o telefone, o que fez com que Anita se apavorasse ainda mais.
Anita morava em um lugar bastante afastado de suas casas vizinhas, o que lhe incomodava bastante, pois não poderia pedir ajuda no caso de uma emergência. Decidiu acendeu as luzes da casa e dar uma espiada ao redor de seu pátio. Foi até a cozinha e serviu um copo de leite, depois resolveu voltar ao seu quarto. Chegando lá ficou apavorada em observar o que estava sobre sua cama: uma carta. Anita atônita percebeu que não havia nada ali quando saiu do quarto para atender ao telefone e a janela de seu quarto era bastante afastada de sua cama. Assim, só havia uma explicação, alguém tinha entrado no quarto e posto a carta ali.
A senhora de sessenta anos correu apavorada para o telefone com o intuito de ligar para a polícia. Chegando lá, outra surpresa fez com que Anita perdesse o fôlego: o fio do telefone, que era colocado na tomada, estava partido ao meio. Realmente, havia alguém fazendo presença a Anita. Após alguns minutos, ainda antes do sol raiar, Anita escutou batidas na porta. Ela se dirigiu até a porta da frente e interrogou em voz alta e trêmula:
- O que você quer?
- Quero entrar! – Respondeu um homem para Anita, que saiu correndo para o banheiro e trancou a porta.
De dentro do banheiro, Anita escutou sua porta ser arrombada. Alguém chegou até o lado de fora do banheiro e depositou a carta que estava em sua cama por baixo da porta.
Anita apavorada abriu a carta e leu. Quase desmaiou quando leu a frase: “Saia da casa ou a matarei”. O homem se afastou da porta e saiu da casa. Anita rapidamente saiu da casa pela porta dos fundos e entrou em seu carro, mas logo percebeu que os pneus estavam furados. A senhora então avistou um homem mascarado vindo em sua direção, apenas com o nariz descoberto. Anita já não tinha mais forças para correr, se assustou e ficou parada, imóvel. Ao chegar perto de Anita, o homem tirou sua máscara  e revelou seu rosto. Anita então reconheceu seu neto Cláudio.
- Minha velha senhora, isto foi só uma brincadeira. Fui eu quem fez tudo isso, desde os telefonemas até a carta. Espero não ter assustado muito a senhora.
Anita enfurecida respondeu:
- Cláudio, seu animal! Como pôde fazer isso comigo?
Felizmente tudo não passou de uma brincadeira, que quase acabou por levar a senhora Anita à morte.

CONTO "A CARTA DO AMOR"

   .           - Mandaram isto para você.
- Para mim?
- Tem mais alguém além de você aqui? É claro que é pra você, né?!
- Obrigado – disse – animal!...
- Falou alguma coisa?
- Não, senhor, só obrigado.
Era uma carta de amor, perfumada, perfume que era incapaz de distinguir naquele momento por estar como nariz entupido. Comeu a bala que ganhou junto com a carta e começou a ler, quando de repente começou a se retorcer. Empurrou as duas mãos contra o peito. A respiração ficou ofegante. Lágrimas caíram. Então ele se ajoelhou no chão e conseguiu finalmente cuspir o pedaço de bala que tinha o engasgado.